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Tatuagem

Carlos Cano

Tatuaje

Él vino en un barco, de nombre extranjero
lo encontré el puerto un anochecer,
cuando el blanco faro sobre los veleros
su beso de plata dejaba caer.

Era hermoso y rubio como la cerveza,
el pecho tatuado con un corazón,
en su voz amarga, había la tristeza
doliente y cansada del bandoneón.

Y ante dos copas de aguardiente
sobre el manchado mostrador,
él fue contándome entre dientes
la vieja historia de su amor.

Mira mi brazo tatuado
con este nombre de mujer,
es el recuerdo de un pasado
que nunca más ha de volver.

Ella me quiso y me ha olvidado,
en cambio, yo, no la olvidé
y para siempre voy marcado
con este nombre de mujer.

Él se fue una tarde, con rumbo ignorado,
en el mismo barco que la conoció
pero entre sus labios, se dejó olvidado,
el beso de amante, que la enveneno.

Errante lo busca por todos los puertos,
a los marineros pregunta por él,
y nadie le dice, si esta vivo o muerto
y sigue en su duda buscándolo fiel.

Y va sangrando lentamente
de mostrador en mostrador,
ante una copa de aguardiente
donde se ahoga su dolor.

Mira su nombre tatuado
en la caricia de mi piel,
a fuego lento lo he marcado
y para siempre iré con él.

Quizá ya tú, me has olvidado
en cambio, yo, no té olvidé,
y hasta que no te haya encontrado
sin descansar te buscaré.

Tatuagem

Ele veio em um barco, de nome estrangeiro
Eu o encontrei no porto, ao anoitecer,
quando o farol branco sobre os veleiros
deixava cair seu beijo de prata.

Era lindo e loiro como a cerveja,
o peito tatuado com um coração,
em sua voz amarga, havia a tristeza
sofrida e cansada do bandoneón.

E diante de duas doses de cachaça
sobre o balcão manchado,
ele foi me contando entre dentes
a velha história do seu amor.

Olha meu braço tatuado
com esse nome de mulher,
é a lembrança de um passado
que nunca mais vai voltar.

Ela me amou e me esqueceu,
em compensação, eu não a esqueci
e para sempre vou marcado
com esse nome de mulher.

Ele partiu uma tarde, com rumo desconhecido,
no mesmo barco que a conheceu
mas entre seus lábios, ele deixou esquecido,
o beijo de amante, que a envenenou.

Errante, ela o busca por todos os portos,
pede informações aos marinheiros sobre ele,
e ninguém diz se está vivo ou morto
e continua na dúvida, buscando-o fiel.

E vai sangrando lentamente
de balcão em balcão,
diante de uma dose de cachaça
onde se afoga sua dor.

Olha seu nome tatuado
na carícia da minha pele,
a fogo lento eu o marquei
e para sempre irei com ele.

Talvez você já tenha me esquecido
em compensação, eu não te esqueci,
e até que eu não te encontre
sem descansar eu vou te buscar.

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