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Maria-criada, Maria-senhora

Carlos do Carmo

Maria-criada, Maria-senhora

Disse adeus aos pais, adeus à montanha
Por trinta dinheiros desceu à cidade
Maria-criada para servir às ordens,
Maria-mulher de menor idade.
Maria tão só numa casa cheia,
Maria tão cheia de se sentir só
Entrega o seu corpo, quer criar raízes
Oferece amor e recebe dó.
Maria que chora, que se entrega a outros,
E a cada domingo não os vê voltar,
Maria que aprende a usar o corpo
Por mais dez dinheiros, para se enfeitar
Perdida por um, perdida por mil
A família longe, sem saber de nada,
Maria-senhora para servir à hora,
Veste-se de seda, já não é criada. (bis)

Maria-criada, Maria-senhora

Dijo adiós a sus padres, adiós a la montaña
Por treinta monedas bajó a la ciudad
Maria-criada para servir órdenes,
Maria-mujer de menor edad.
Maria tan sola en una casa llena,
Maria tan llena de sentirse sola
Entrega su cuerpo, quiere echar raíces
Ofrece amor y recibe lástima.
Maria que llora, que se entrega a otros,
Y cada domingo no los ve regresar,
Maria que aprende a usar su cuerpo
Por diez monedas más, para adornarse
Perdida por uno, perdida por mil
La familia lejos, sin saber nada,
Maria-senhora para servir a la hora,
Se viste de seda, ya no es criada. (bis)

Escrita por: Tózé Brito