395px

Fado Excursionista

Carlos do Carmo

Fado Excursionista

Anda depressa, ó, Elvirinha
Já chegou a camioneta
Pega na cesta e vem asinha
Vamos é pôr-nos na alheta

O pão-de-ló não dispenso
Nem o arroz de cabidela
Não há quem faça um farnel tão bom
Não há mulher como ela
Vem passear, Elvirinha, vem
Tens um lugar à janela

Portugal que eu desconheço
Em permanente excursão
No caminho em que tropeço
É que eu meço a solidão

Solidão de andar parado, ai
Sou um motor em viagem
Será que vem? Será que vai?
É só questão de embraiagem

Anda, Elvirinha, anda, meu bem
Segura na melancia
Se não te importas traz-me também
O arroz doce da tia

Não te esqueças da mantinha
Nem do banco desdobrável
Traz Elvirinha, traz a sombrinha
Que o campo é descapotável
Ai, Elvirinha, traz a sombrinha
Que o tempo está variável

Portugal que eu desconheço
Em permanente excursão
No caminho em que tropeço
É que eu meço a solidão
Solidão de andar parado, ai
Sou um motor em viagem
Será que vem? Será que vai?
É só questão de embraiagem

Anda, Elvirinha, p’ra camioneta
Já vejo a nossa comadre
E mais a outra da roupa preta
Que é irmã do senhor padre

Temos bela companhia
Que excursão tão porreirinha
Mas o que é isto? A tua tia?
Não me disseste que vinha?
Se for com ela estraga-se o dia
Volta p’ra casa, Elvirinha
Não vou á bola com a tua tia

Volta para casa, Elvirinha
Ficas em Casa, Elvirinha
Ficas comigo, Elvirinha
Vamos p’ra casa, Elvirinha
Ai que domingo, Elvirinha

Fado Excursionista

Date prisa, O Elvirinha
El camión está aquí
Agarra la canasta y coge la alada
Vámonos de aquí

El bizcocho no sobra
Ni siquiera el arroz cabidela
No hay nadie que haga una comida tan buena
No hay mujer como ella
Vamos, Elvirinha, vamos
Tienes un asiento de ventana

Portugal que no conozco
En gira permanente
En el camino me tropiezo
¿Es que mido la soledad

La soledad para caminar quieto, ouch
Soy un motor en la carretera
¿Vendrá? ¿Lo hará?
Es sólo una cuestión de embrague

Vamos, Elvirinha, vamos, nena
Agárrate a la sandía
Si no te importa, tráemelo también
Arroz dulce de tía

No olvides el manto
Ni el asiento plegable
Trae a Elvirinha, trae el paraguas
Que el campo es convertible
Elvirinha, trae el paraguas
Ese tiempo es variable

Portugal que no conozco
En gira permanente
En el camino me tropiezo
¿Es que mido la soledad
La soledad para caminar quieto, ouch
Soy un motor en la carretera
¿Vendrá? ¿Lo hará?
Es sólo una cuestión de embrague

Vamos, Elvirinha, para el camión
Veo nuestra cama
Y el otro del traje negro
¿Quién es la hermana del padre?

Tenemos una hermosa compañía
Qué lindo tour
¿Qué diablos es esto? ¿Tu tía?
¿No me dijiste que venías?
Si vas con ella, arruinarás el día
Ven a casa, Elvirinha
No voy a ir al baile con tu tía

Ven a casa, Elvirinha
Quédate en casa, Elvirinha
Quédate conmigo, Elvirinha
Vámonos a casa, Elvirinha
Qué domingo, Elvirinha

Escrita por: Ary Dos Santos / José Mário Branco e José Afonso