395px

Kindheit

Carlos Drummond de Andrade

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Kindheit

Mein Vater ritt auf dem Pferd, ging aufs Feld.
Meine Mutter saß und nähte.
Mein kleiner Bruder schlief.
Ich allein, ein Junge zwischen Mangobäumen,
las die Geschichte von Robinson Crusoe,
lange Geschichte, die niemals endet.

In der weißen Mittagslicht eine Stimme, die gelernt hat,
zu wiegen in den Weiten der Sklavenunterkünfte - und nie vergaß,
rief zum Kaffee.
Schwarzer Kaffee wie die alte Schwarze,
geschmackvoller Kaffee,
guter Kaffee.

Meine Mutter saß und nähte,
blickte zu mir:
- Pssst... Weck den Jungen nicht.
Für die Wiege, wo ein Mückenstich landete.
Und seufzte... wie tief!

In der Ferne jagte mein Vater
im endlosen Dickicht der Farm.

Und ich wusste nicht, dass meine Geschichte
schöner war als die von Robinson Crusoe.

Escrita por: Carlos Drummond de Andrade