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Apartamento Discreto

Carlos Galhardo

Apartamento Discreto

No apartamento discreto,
Onde abriguei meu afeto,
Hoje escondo a minha dor,
Sentindo a cada momento,
Avolumar-se o tormento,
Da ausência do meu amor.

Passo horas esquecidas,
Olhando as ondas perdidas,
Num vai e vem de ilusão,
E a dança verde das águas,
Reflete a dança das mágoas,
Que invadem meu coração.

Ouço sutil tique-taque,
Quando fito o bric-a-brac,
Do nosso quarto desfeito,
E eu sinto então contristado,
Que este rumor compassado,
É o soluçar do meu peito.

E esta romântica história,
Não sai da minha memória,
Nem um minuto sequer,
Por mais cigarros que eu fume,
Guardo na boca o perfume,
Dos lábios desta mulher.

Apartamento Discreto

En el discreto apartamento,
Donde cobijé mi afecto,
Hoy escondo mi dolor,
Sintiendo en cada momento,
Crecer el tormento,
De la ausencia de mi amor.

Paso horas olvidadas,
Mirando las olas perdidas,
En un vaivén de ilusión,
Y la danza verde de las aguas,
Refleja la danza de las penas,
Que invaden mi corazón.

Escucho sutil tic-tac,
Cuando miro el bric-a-brac,
De nuestro cuarto deshecho,
Y entonces siento con tristeza,
Que este rumor acompasado,
Es el sollozar de mi pecho.

Y esta historia romántica,
No sale de mi memoria,
Ni un minuto siquiera,
Por más cigarrillos que fume,
Guardo en la boca el perfume,
De los labios de esta mujer.

Escrita por: Ataulfo Alves