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Polvo

Carlos Gonzaga

Poeira

O carro de boi lá vai
Gemendo lá no estradão
Suas grandes rodas fazendo
Profundas marcas no chão

Vai levantando poeira
Poeira vermelha, poeira
Poeira do sertão

Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão
Vai rugindo, vai ruminando
Cabeças em confusão

Vai levantando poeira
Poeira vermelha, poeira
Poeira do sertão

Olha só seu boiadeiro
Montado em seu alazão
Conduzindo toda boiada
Com seu berrante na mão

Seu rosto é só poeira
Poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão

Barulho de trovoada
Morriscos em profusão
A chuva caindo em cascata
Na terra fofa do chão

Virando em lama poeira
Poeira vermelha, poeira
Poeira do sertão

Poeira entra em meus olhos
Não fico zangado não
Pois sei que quando eu morrer
Meu corpo irá para o chão

Se transformar em poeira
Poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão

Polvo

El carro de bueyes allá va
Gimiendo en el camino
Sus grandes ruedas haciendo
Marcas profundas en el suelo

Levanta polvo
Polvo rojo, polvo
Polvo del campo

Mira, señor, el ganado
Buscando el arroyo
Rugiendo, rumiando
Cabezas en confusión

Levanta polvo
Polvo rojo, polvo
Polvo del campo

Mira al vaquero
Montado en su corcel
Guiando todo el ganado
Con su cuerno en la mano

Su rostro es solo polvo
Polvo rojo, polvo
Polvo de mi campo

Ruido de tormenta
Relámpagos en abundancia
La lluvia cayendo en cascada
En la tierra suave del suelo

Convirtiendo el polvo en barro
Polvo rojo, polvo
Polvo del campo

El polvo entra en mis ojos
No me enojo
Porque sé que cuando muera
Mi cuerpo irá al suelo

Se convertirá en polvo
Polvo rojo, polvo
Polvo de mi campo

Escrita por: Luíz Bonan / Serafim Colombo Gomes