Inquieta
Eu vivo inquieta por estar inquieta
Eu tenho uma meta, mas não chego lá
Eu vivo com pressa, e na minha cabeça
Vive tanta gente que nem me diz olá
Eu já me conheço, mas nem me conheço
E quando tropeço já não sinto o chão
Sempre me levanto, mas no entretanto
Já não vejo espanto em mais um arranhão
Dizem-te: Trabalha, mas só me baralha
Quanto mais entregas é menor o pão
Dizem-te: Tu fala, mas ninguém se cala
Para ouvir o outro no meio da multidão
Ninguém é generoso, e é tão perigoso
Querer amar alguém que não ama nada
A vida é mesmo assim, eu vou gostar de mim
E quando chego ao fim, faço do fim uma estrada
É esta a minha sina
Eu nunca fui menina
Eu sempre fui mulher
Mesmo quando não o era
Eu sempre fui crescida
Mesmo quando a vida
Tinha dias de chuva
Pra pouca primavera
Por isso, muita calma
Eu tenho uma alma
Que já era minha
Antes de eu o ser
Viveu muito mais anos
Sofreu tantos mais danos
Que sobreviveu
A sobreviver
Por isso, muita calma
Eu tenho uma alma
Que já era minha
Antes de eu o ser
Viveu muito mais anos
Sofreu tantos mais danos
Que sobreviveu
A sobreviver
Eu vivo inquieta
Inquieta
Yo vivo inquieta por estar inquieta
Tengo una meta, pero no llego allá
Vivo con prisa, y en mi cabeza
Viven tanta gente que ni me dice hola
Ya me conozco, pero ni me conozco
Y cuando tropiezo ya no siento el suelo
Siempre me levanto, pero en el intermedio
Ya no veo asombro en otro rasguño más
Te dicen: Trabaja, pero solo me confunde
Cuanto más te entregas, menos es el pan
Te dicen: Tú habla, pero nadie se calla
Para escuchar al otro en medio de la multitud
Nadie es generoso, y es tan peligroso
Querer amar a alguien que no ama nada
La vida es así, voy a quererme a mí
Y cuando llegue al final, haré del fin un camino
Esa es mi suerte
Nunca fui niña
Siempre fui mujer
Incluso cuando no lo era
Siempre fui madura
Incluso cuando la vida
Tenía días de lluvia
Para poca primavera
Por eso, mucha calma
Tengo un alma
Que ya era mía
Antes de serlo
Vivió muchos más años
Sufrió tantos más daños
Que sobrevivió
A sobrevivir
Por eso, mucha calma
Tengo un alma
Que ya era mía
Antes de serlo
Vivió muchos más años
Sufrió tantos más daños
Que sobrevivió
A sobrevivir
Yo vivo inquieta
Escrita por: Diogo Clemente, Carolina Deslandes