395px

El Migrante

Carolina Diz

O Migrante

E então este é você: nestas ruas há um ano inteiro
E então este é você: prisioneiro do caderno de empregos
Incansáveis seus pés caminhavam sem experiência ou 2° grau
Seu nome está engatilhado num beco tão criminal

E então este é você: alforriado vaga entre os carros
E então este é você: mais um bêbado imaculado
Silho e senhor de mais uma trincheira negreira
A namorada é agora uma foto desbotada na carteira

As ruas parecem ter sido seu berço
Um cativeiro sem fim e sem começo
Deve haver algum lugar pra chamar de lar
Antes que o frio venha te abraçar

E então este é você: pereira silva de oliveira
E então este é você: garimpeiro diário de lixeira
Anjo exausto movido a pedra, emparedado sob as marquises
Nestes reinos de papelão sua ida virou raízes

El Migrante

Y así eres tú: en estas calles durante un año entero
Y así eres tú: prisionero del cuaderno de empleos
Incansables tus pies caminaban sin experiencia o secundaria
Tu nombre está atrapado en un callejón tan criminal

Y así eres tú: liberado vagando entre los autos
Y así eres tú: otro borracho inmaculado
Dueño y señor de otra trinchera esclavista
La novia ahora es una foto descolorida en la billetera

Las calles parecen haber sido tu cuna
Un cautiverio sin fin y sin principio
Debe haber algún lugar para llamar hogar
Antes de que el frío venga a abrazarte

Y así eres tú: Pereira Silva de Oliveira
Y así eres tú: buscador diario de basura
Ángel exhausto movido por piedra, encajonado bajo los portales
En estos reinos de cartón tu partida se convirtió en raíces

Escrita por: Cesar Gilcevi