395px

Cantor de Bolsa

Casquinha da Portela

Cantor de Sacola

Antigamente, quando o samba era mais devagar
Eu chegava e podia cantar
Os sambinhas que eu faço, sem pretensão
Mas, hoje em dia, a ambição de gravação
Eu chego, fico sentado num canto
Quero cantar e não me deixam, não ( já entendi a razão )
Mas, doravante, vou bancar o ignorante
Vou chegando, quero cantar, seja lá em qualquer tom
Porque pra isso levo comigo Osmar do Cavaco, mulato de fato
E Jorge da Conceição, que é o rei do violão

Então eu vou cantar até em tom sustenido
Sem ferir o ouvido de quem estiver a mês escutar
Todos dirão, que voz tão bela
Não podia ser de outro, trata-se de Casquinha da Portela

Então eu volto a cantar com todo o prazer
Mas não ficarei ofendido se ouvir alguém dizer
Sai fora daí, ó seu cantor de sacola
Se ainda sobrevive é graças ao Paulinho da Viola

Cantor de Bolsa

Antiguamente, cuando el samba era más lento
Yo llegaba y podía cantar
Las sambas que hago, sin pretensión
Pero, hoy en día, la ambición de grabación
Llego, me siento en un rincón
Quiero cantar y no me dejan, no (ya entendí la razón)
Pero, de ahora en adelante, actuaré como ignorante
Llego, quiero cantar, sea en cualquier tono
Porque para eso llevo conmigo a Osmar del Cavaco, mulato de verdad
Y a Jorge da Conceição, que es el rey de la guitarra

Así que cantaré incluso en sostenido
Sin herir el oído de quien esté dispuesto a escuchar
Todos dirán, qué voz tan hermosa
No podría ser de otro, se trata de Casquinha de la Portela

Entonces vuelvo a cantar con todo el placer
Pero no me ofenderé si escucho a alguien decir
¡Fuera de aquí, oh cantor de bolsa!
Si aún sobrevives es gracias a Paulinho da Viola

Escrita por: Casquinha Da Portela