Gente do Sertão
Em minhas férias de Natal e Ano Novo
Eu fui rever o lugarejo onde nasci
Há quanto tempo que não via o meu povo
A minha gente que deixei quando parti
Quanta tristeza eu senti quando passei
Onde moravam os colonos de café
Foi com surpresa quase espanto que notei
Que não existe mais nenhuma casa em pé
O cafezal virou pastagem de boiada
E a baixada do arrozal virou varjão
Na redondeza tudo virou invernada
Ficou sem nada minha gente do sertão
Meu velho pai encerrou a sua luta
Não tem mais forças para a vida enfrentar
A minha mãe continua na labuta
Faz muito esforço pra lavar e cozinhar
De madrugada meus irmãos já estão prontos
Para lutarem pelo pão de cada dia
Mesmo com chuva se encaminham para o ponto
Para esperar o caminhão de boia fria
O cafezal virou pastagem de boiada
E a baixada do arrozal virou varjão
Na redondeza tudo virou invernada
Ficou sem nada minha gente do sertão
Gente del Sertão
En mis vacaciones de Navidad y Año Nuevo
Fui a visitar el pueblo donde nací
Hacía tanto tiempo que no veía a mi gente
A mi gente que dejé cuando me fui
Qué tristeza sentí al pasar
Por donde vivían los colonos del café
Fue con sorpresa, casi asombro, que noté
Que ya no queda ninguna casa en pie
El cafetal se convirtió en pastizal para el ganado
Y la zona de arrozales se volvió pantano
En los alrededores todo se convirtió en pastoreo
Mi gente del sertão se quedó sin nada
Mi viejo padre terminó su lucha
Ya no tiene fuerzas para enfrentar la vida
Mi madre sigue en la batalla
Haciendo un gran esfuerzo para lavar y cocinar
De madrugada mis hermanos ya están listos
Para luchar por el pan de cada día
Aun con lluvia se dirigen al punto
Para esperar el camión de comida fría
El cafetal se convirtió en pastizal para el ganado
Y la zona de arrozales se volvió pantano
En los alrededores todo se convirtió en pastoreo
Mi gente del sertão se quedó sin nada
Escrita por: Roberto Nunes / Benedito Seviero