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Metralla

Cátia de França

Estilhaços

porque a vida é
tua mesa de comida é
sem toalhas comportadas
de um pedaço de chão
um leito leve de amor, porta, coração, aberto
tens a cada hora uma aurora sempre perto

porque teu tempo é
não tens espera tens um abraço a cada instante
tua vida é uma partida constante
não tens o sangue frio
frio do asfalto
teu mundo não é feito, feito só de aço
espalhas estilhaços de amor

a tua sede é calma
calma de alma verde
a tua fome é fonte de onde nasce o homem
espalhas estilhaços de amor

teu corpo não tem norte
também não tem o sul
não há nenhuma algema que segure tuas mãos
a tua estrada não tem mancha, mancha de solidão
é o céu, o sol, o som
nos dedos de tua mão

Metralla

porque la vida es
su mesa de comida es
sin toallas
de un pedazo de suelo
una cama de luz de amor, puerta, corazón, abrir
tienes cada hora una aurora siempre cerca

porque tu tiempo es
No tienes espera Tienes un abrazo cada minuto
su vida es una partida constante
no eres de sangre fría
asfalto frío
su mundo no está hecho, hecho sólo de acero
dispersa metralla de amor

tu sed está en calma
calma de alma verde
tu hambre es la fuente de donde nace el hombre
dispersa metralla de amor

tu cuerpo no tiene norte
también no tiene el sur
no hay esposas que te sujeten las manos
Tu camino no tiene mancha, mancha de soledad
es el cielo, el sol, el sonido
en los dedos de la mano

Escrita por: Cátia de França / Flávio Nascimento