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Negado Al Negro

César Passarinho

Negado Ao Negro

Aquela cerca de pedra
Que desenha a sesmarias
Tem meu suor, minha dor
Que emolduraram meus dias

Não tive a infância dos livres
Brinquedo e gado de osso
Trabalhei a vida inteira
Sem ter salário no bolso

Na vida não tive flores
Só exploraram meus braços
Me açoitaram mil vezes
Por ter nascido picaço

Eu que sou parte da história
Que construiu este chão
Continuo sendo escravo
Descaso e solidão

Se na vida fui pealado
Pelo desprezo da cor
Meu sofrimento já basta
Também preciso de amor

Negado Al Negro

Esa cerca de piedra
Que delinea las tierras
Tiene mi sudor, mi dolor
Que enmarcaron mis días

No tuve la infancia de los libres
Juguetes y ganado de hueso
Trabajé toda la vida
Sin tener salario en el bolsillo

En la vida no tuve flores
Solo explotaron mis brazos
Me azotaron mil veces
Por haber nacido picaço

Yo que soy parte de la historia
Que construyó este suelo
Sigo siendo esclavo
Desprecio y soledad

Si en la vida fui menospreciado
Por el desprecio del color
Mi sufrimiento ya es suficiente
También necesito amor

Escrita por: Flávio Saldanha, Cleber Soares