Abismo
O abismo quando se encara, diz um velho conselheiro
Devolve à própria mirada, seria o abismo um espelho?
Ah, se eu fosse um poço e a Lua dançasse em meu seio
Dizem que em nossa cabeça, a salvo de nós mesmos
Guardam segredos alheios, você também ouviu essa
Ah, se eu soubesse ler tudo que o corpo confessa
Sei que sobre o meu ombro, atento ao menor engano
Paira quieto um olho, a quem pertences, maldito?
Ah, se eu fosse ligeiro feito a visão do infinito
Sei que eu sou feito de carne, que carne é memória
Que um dia esvanece, eu sei, ou ao menos eu creio
Ah, se eu fosse um poço e a Lua dançasse em meu seio
Sei que sobre o meu ombro, atento ao menor engano
Paira quieto um olho, a quem pertences, maldito?
Ah, se eu fosse ligeiro, feito a visão do infinito
Mas não
Sei que eu sou feito de carne e que carne é memória
Que um dia esvanece, eu sei, ou ao menos eu creio
Ah, se eu fosse um poço e a Lua dançasse em meu seio
Abismo
El abismo cuando se enfrenta, dice un viejo consejero
Devuelve a la propia mirada, ¿sería el abismo un espejo?
Ah, si yo fuera un pozo y la Luna bailara en mi pecho
Dicen que en nuestra cabeza, a salvo de nosotros mismos
Guardan secretos ajenos, tú también escuchaste eso
Ah, si supiera leer todo lo que el cuerpo confiesa
Sé que sobre mi hombro, atento al menor error
Flota quieto un ojo, ¿a quién perteneces, maldito?
Ah, si yo fuera ligero como la visión del infinito
Sé que estoy hecho de carne, que la carne es memoria
Que un día se desvanece, lo sé, o al menos lo creo
Ah, si yo fuera un pozo y la Luna bailara en mi pecho
Sé que sobre mi hombro, atento al menor error
Flota quieto un ojo, ¿a quién perteneces, maldito?
Ah, si yo fuera ligero, como la visión del infinito
Pero no
Sé que estoy hecho de carne y que la carne es memoria
Que un día se desvanece, lo sé, o al menos lo creo
Ah, si yo fuera un pozo y la Luna bailara en mi pecho
Escrita por: Artur Lana Guzzo, Mateus Lana Guzzo