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Cruz Na Estrada

Cidinha de Almeida

Caminheiros que passam na estrada
Seguindo rumo ao sertão
Quando virem a cruz abandonada
Deixem-na em paz e solidão

Não atirem alecrim cheiroso
Nos braços da cruz ao passar
Vão espantar o bando buliçoso
Das borboletas a pousar

É um escravo humilde a dormir
Sua vida foi insônia atroz
Deixem-no no leito de verdura
Que o senhor lhe compôs

Não precisa de ti o gaturamo
Geme por ele ao anoitecer
E a juriti no taquaral
Povoa a solidão a tremer

Entre os braços da cruz a parasita
Num abraço de flores se prendeu
Chora orvalhos a grama que palpita
E o vaga-lume o fogo acendeu

Quando a noite habita as matas
A sepultura fala a sós com Deus
Prende a voz na boca das cascatas
E as asas de ouro lá nos céus

É um escravo humilde a dormir
Sua vida foi insônia atroz
Deixem-no no leito de verdura
Que o senhor lhe compôs

Não precisa de ti o gaturamo
Geme por ele ao anoitecer
E a juriti no taquaral
Povoa a solidão a tremer

Caminheiro o sono começou
Não toques no leito de noivado
Há pouco a libertação
O desposou e é sagrado

Escrita por: Maria Aparecida de Almeida