Meu Deus, que serviço cansativo
Pra diagramar um livro inteiro
São cento e uma páginas
Tudo com letra de formigueiro
Aumenta a letra, muda o fundo
Diminui a gravura, muda de lugar
Meu Deus, que coisa complicada
Mas se eu não fizer na mão
Esse livro não vai rolar
O livro é Cadernos de Poesias
Tem poeta pra todo gosto
Roseana, Bastos Tigre
Olavo Bilac também está posto
Tem Marilene, Carmen Pazzanese
Drummond não pode faltar
Não podemos esquecer Casimiro
E a poesia da Festa Junina
Pra completar
Meu Deus, que serviço cansativo
Pra diagramar um livro inteiro
São cento e uma páginas
Tudo com letra de formigueiro
Aumenta a letra, muda o fundo
Diminui a gravura, muda de lugar
Meu Deus, que coisa complicada
Mas se eu não fizer na mão
Esse livro não vai rolar
No ritmo em que a coisa anda
Cinco dias vou trabalhar
Página por página
Até conseguir terminar
Quando penso que está pronto
Tem mais coisa pra ajeitar
Uma letra que ficou pequena
Uma imagem pra mudar de lugar
Tanto serviço pra depois
Vender barato ao consumidor
Porque eu não quero livro caro
Mas meu Deus, quanto suor
Quero um livro bonito
Que dê gosto de folhear
Com uma letra que se enxergue
Sem precisar adivinhar
Espero que, depois de pronto
Todo esforço seja recompensado
Faço muita coisa por amor
Mas o bolso anda preocupado
Dizem que amor enche a vida
Barriga é outra questão
Só quando o romance dá frutos
É que aumenta a população
Nesse caso, o livro é de poesias
Pra grandes poetas apresentar
Mas eu vou parar por aqui
Antes da rima desandar
Já consertei letra e gravura
Já fiz imagem passear
Antes que o poema fique de pé quebrado
Melhor essa autora descansar
Meu Deus, que serviço cansativo
Pra diagramar um livro inteiro
São cento e uma páginas
Tudo com letra de formigueiro
Aumenta a letra, muda o fundo
Diminui a gravura, muda de lugar
Mas quando esse livro ficar pronto
Eu ainda vou olhar e falar
Deu trabalho pra danar
Mas ficou bonito de lascar