395px

Parê E Cibiça

Cidinha de Almeida

Tudo começou nos tempos da escola
Quando o mundo cabia num corredor
Tinha conversa, segredo e risada
E amizade nascendo sem nenhum favor

Primeiro veio a irmã da Cibiça
Companheira de tanta confusão
Depois apareceu aquela menina bonita
Que Parê olhou com certa desconfiança então

Essa menina é meio metida
Foi a primeira impressão de Parê
Mas o tempo, que entende das coisas
Disse baixinho: Você ainda vai ver
E viu

Vieram conversas, vieram risadas
E um apelido que ninguém mais explica
De um lado alguém gritava Parê!
Do outro respondia a tal da Cibiça

Parê e Cibiça
Quantos anos já passaram?
Quantas estradas diferentes
Nossos passos encontraram?
A vida muda tanta coisa
Faz a gente até se perder
Mas há amizades que o tempo
Não consegue desfazer

Um dia Parê chegou do trabalho
Com uma novidade para anunciar
Cibiça, a diretora está te convocando
É melhor você se preparar!

Não era convite, nem entrevista
Parê já tinha decidido a questão
Pegou o telefone daquela época
E fez sua própria convocação

E Cibiça foi

Vieram escola, alunos e caminhos
Vieram escolhas que ninguém previu
A irmã da Cibiça foi morar tão longe
E a vida de cada uma prosseguiu

Uma foi daqui, outra foi dali
Cada qual procurando seu lugar
Mas amizade verdadeira tem dessas coisas
Pode ficar longe sem deixar de ficar

Parê e Cibiça
Quantos anos já passaram?
Quantas estradas diferentes
Nossos passos encontraram?
A vida muda tanta coisa
Troca endereço e direção
Mas quem virou família um dia
Continua no coração

Havia uma mãe naquela história
Que acolhia Parê como filha também
E dizia sorrindo: Essa menina é poetisa!
Talvez enxergasse mais longe que ninguém

O tempo correu
A menina continuou escrevendo
Inventando histórias e canção
Até que um dia contou suas novidades
Para uma amiga daquela geração

Do outro lado veio a resposta
Simples como sempre deveria ser
Parê, faz isso mesmo

E naquele instante não havia distância
Nem calendário para contar
Eram novamente aquelas meninas
Que sabiam juntas brincar

Parê e Cibiça
A irmã da Cibiça também
A vida espalhou nossos caminhos
Mas não levou o querer bem

Não precisamos estar todo dia
Para saber quem a gente é
Basta uma mensagem atravessar o tempo
Vai em frente, Parê

Talvez amizade seja exatamente isso
Não impedir ninguém de partir
Mas deixar uma porta entreaberta
Para quando alguém quiser ressurgir

E quando um velho apelido reaparece
Não importa quanto tempo passou

Cibiça ainda sabe quem é Parê
E Parê nunca se esqueceu
De quem ficou

Escrita por: Maria Aparecida de Almeida