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Segundo São Blogger

Cidinha de Almeida

Fui postar Ruth Rocha, tudo muito bem
Texto organizado, bonito também
Mas surgiu uma bolinha querendo mandar
Tirei uma daqui, nasceram dez no lugar

Te enganei, eu sei nadar
Lá, lá, lá
A bolinha foi embora
E o número veio ficar

Cliquei numa coisa, apareceu um, dois, três
Daqui a pouco quarenta, tudo de uma vez
Olhei para a tela e comecei a desconfiar
Isso não é postagem, é Bíblia pra estudar

Segundo São Blogger, capítulo não sei quanto
Versículo quarenta e um, Almeida perdeu o encanto
Entrou no HTML, procurou <ol também
Quanto mais ela rezava, mais assombração é que vem

Segundo São Blogger, está escrito assim
Clique aqui, volte ali, depois aperte no fim
Almeida olhou pra tela e decretou então
Meu filho, eu me chamo Maria Aparecida
Mas milagre eu não faço, não

Lembrei do homem da TV querendo explicar
Entre aí, abra o menu, agora pode clicar
Fiz tudo obediente, até ele aparecer
E o padrinho perguntou: Mas o que foi que houve aí?

Não sei, alguma coisa estava queimada, ele falou
E eu, que já tinha tentado tudo, só completei
Pois é, de lá você queria que eu fizesse milagre
Ressuscitar morto, meu filho, só Jesus, eu não sei

E teve aluno um dia, antes do conselho começar
Professora, me defende, não deixa me reprovar
Olhei bem para o menino, sem nenhuma hesitação
Eu me chamo Maria Aparecida
Mas milagre eu não faço, não

Segundo São Blogger, capítulo final
A bolinha virou número num fenômeno digital
Ruth Rocha ganhou versículo, o Blogger ganhou sermão
E Almeida fechou a firma com uma sábia decisão

Hoje ninguém ressuscita nada
Amanhã a gente vê
Salva o texto, fecha a tela
Que milagre pode esperar pra acontecer

Segundo São Blogger, assim terminou
O defeito não foi embora
Mas pelo menos uma música ele deixou

Escrita por: Maria Aparecida de Almeida