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Despejar

Ciro Pessoa

Despejar

O homem-cabeça-de-pêssego
Vestido de distorcidas nuvens elétricas
Apareceu na noite em que dois cometas
Singravam o céu azul

Despejar, despejar

Um pirata, com sua espada laranja
Mastigava, com seus dentes vermelhos
Uma intensa sereia vestida de luzes difusas

Despejar, despejar

Os olhos de um arco-íris
Encaravam o sapo-azul-violeta
Na hora em que sua língua saltou pra fora

Despejar, despejar

Despejar

El hombre-cabeza-de-durazno
Vestido de nubes eléctricas distorsionadas
Apareció en la noche en que dos cometas
Surcaban el cielo azul

Despejar, despejar

Un pirata, con su espada naranja
Masticaba, con sus dientes rojos
Una intensa sirena vestida de luces difusas

Despejar, despejar

Los ojos de un arcoíris
Miraban al sapo-azul-violeta
En el momento en que su lengua saltó hacia afuera

Despejar, despejar

Escrita por: Apollo 9 / Ciro Pessoa