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Fogo na Arena

Cláudio Fontenelle

No rastro da poeira, a alma se acalma
O cheiro do couro, o peso na palma

Fogo na arena, o peão faz a prece enquanto
O silêncio da noite padece, a fivela brilha sob o clarão
Medo é um bicho no meu coração, mas o ginete me chama
Ali dá a sorte, nesse balanço entre a vida e a morte

Oito segundos pro mundo parar
Hei, oito segundos para gente gritar
É fogo na arena, é glória no chão
Batida da bota, paixão e oração

Crueira para cima, o sonho flutuar, oh
Deixo o destino na mão da Lua
A perda é uma lição escrita nas cicatrizes
Sob o dossel de estrelas do sul

Mil milhas percorridas em uma caminhonete enferrujada
Apostando minha vida em um pouco de sorte
A argila vermelha mancha o jeans da minha alma
Mais uma viagem para reconstruir o quebrado

Dos campos brasileiros até o portão do Texas
Sou o mestre do meu medo, não um escravo do destino

Oito segundos pro mundo parar
Hei, oito segundos para gente gritar
É fogo na arena, é glória no chão
Batida da bota, paixão e oração

Crueira para cima, o sonho flutuar
Oh, deixo o destino na mão da Lua

Superar, levantar, levante-se, fique de pé, ereto
Lutar, acreditar, atenda ao chamado

Na queda, no suor, a gente se encontra
É no batido que o medo se apronta
Na queda, no suor, a gente se encontra
É no batido que o medo se apronta

Oito segundos pro mundo parar
Hei, oito segundos para gente gritar
É fogo na arena, é glória no chão
Batida da bota, paixão e oração

Crueira para cima, o sonho flutuar, oh
Deixo o destino na mão da Lua

Lida vencida, só mais uma milha
Que Deus abençoe a viagem

Escrita por: Claudio Fontenelle