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Dores e Vícios

Coy Rap

Solo aos os meus pés
O que eu sempre quis
Me tornar feliz
Mas me tornei só um aprendiz

De entornar o copo, chutar o balde
Pois eu mesmo me derroto
E assim me loto de infelicidade
Sentado no sofá surfando nas ideias

De um passado que eu vivi só dentro da minha mente
De um personagem pelo meu ego criado
Chato burro, vingativo, mal criado
E inconveniente

Desnecessário!
Nas ideias um dinossauro, mas
Cheio de palavras, tipo um dicionário
Ninguém quer ler, velho e cheio de poeira

Me consultam na necessidade, esquecido na prateleira
Sem fazer pose em busca de flashs
Não ligo mais pra closes
Nem fotos de internet

Um retirante caminhando numa trilha
Com sua mala nas costas
Sem aceitar permutas
Em busca de perguntas

Sem encontrar respostas
Eu não tenho mais dúvidas
Mas eu também não tenho mais propostas
Pois minha visão já não é mais como antes

Já não sou mais aquele louco que sonhava distante
Com o futuro
Tô só tentando viver a vida sem matar
E sem me matar pra eu não morrer sendo um duro

Meu pai me disse que a vida era difícil
Eu acreditei
Mas não sabia de verdade o que era isso

Quando cê chega aos 30 cheio de dores e vícios
E nada do que você planejou prospera
Você vai odiar os seus amores
Os ver como malefícios

Mas não vai adiantar já era
Quando cê chega aos 30 cheio de dores e vícios
E nada do que você planejou prospera
Você vai odiar os seus amores

Os ver como malefícios
Mas não vai adiantar já era

No trampo, no rap, em nada que eu sonhava
Eu percebi que o que eu sonhava
Não era o que eu sonhava
E que tudo que eu acreditava

Eram só ilusões criadas
Por uma mente que foi moldada
A acreditar que a vida imita arte
E que não é a arte que se inspira na vida

Criando ilusões de uma falsa realidade
Levando o homem a se desviar
A do que ele realmente se destina
Tentamos fugir dessa sina

Mas Maktub tava escrito
Então por isso eu continuo com as minhas rimas
Se pá tipo Van Gogh
Depois da minha morte

Vão enxergar metade do que eu fiz com sorte
Deixa eu me iludir que vai ser assim
Pra amenizar o sofrimento quando chegar o fim
Tim-tim, mais um brinde pra mim

Por viver minha vida
Sem apontar a pistola pra minha cabeça
Assim eu vou até o fim
Um dia após o outro até que o Zolpidem me adormeça

A noite chega, o ar me falta
Exames dizem que eu tô bem
Não tenho nada
Que é só um grito da minha alma

Que eu só preciso relaxar e manter a calma
Mas me diga então como ficar tranquilo?
Se tua nobre lucidez não me responde isso
Prefiro minha insensatez e me manter sozinho

Não quero papo com vocês siga teu caminho
Cara fechada pela timidez
Disseram tanto que era arrogância
Até que eu peguei nojo de todos vocês

E decidi incorporar essa persona
O gato arisco que foi tanto maltratado
Sempre vai ser só julgado e nunca compreendido
Cada rabisco é um sonho de um legado

E não morrer tão fracassado, totalmente esquecido
Eu me arrisco num caminho que é traçado
Sem um mapa desenhado que desvie do abismo
Pois quando eu pisco um milênio foi passado

Eu não quero estar parado, jogado no ostracismo
Eu me arrisco num caminho que é traçado
Sem um mapa desenhado que desvie do abismo
Pois quando eu pisco um milênio foi passado

Eu não quero estar parado, jogado no ostracismo

Quando cê chega aos 30 cheio de dores e vícios
E nada do que você planejou prospera
Você vai odiar os seus amores
Os ver como malefícios

Mas não vai adiantar já era
Quando cê chega aos 30 cheio de dores e vícios
E nada do que você planejou prospera
Você vai odiar os seus amores

Os ver como malefícios
Mas não vai adiantar já era

Escrita por: Coy Rap