Viola Quebrada
Quando da brisa no açoite a fror da noite se curvou
Fui si encontra com a Maróca meu amor
E eu tive n'alma um golpe duro
Quando ao muro já no escuro
Meu olhar andou buscando a cara dela e num achou
Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou
Minha Maróca resorveu por gosto seu me abandonar
Porque o fadista nunca sabe trabalhar
Isto é besteira pois das fror
Que brilha e cheira a noite inteira
Vem depois a fruta que dá gosto de saborear
Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou
Por causa dela sou um rapaz muito capaz de trabaiar
E todos os dias todas as noites capinar
Eu sei carpir porque minh'alma está arada e loteada
Capinada com as foiçadas desta luz do seu olhar...
Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou
Viola Quebrada
Cuando la brisa azota la flor de la noche se inclinó
Fui a encontrarme con Maróca, mi amor
Y tuve en el alma un golpe duro
Cuando en el muro ya oscuro
Mi mirada buscaba su rostro y no lo encontraba
Mi viola gimió
Mi corazón se estremeció
Mi viola se rompió
Mi corazón me dejó
Maróca decidió por su gusto abandonarme
Porque el fadista nunca sabe trabajar
Esto es una tontería, pues de la flor
Que brilla y huele toda la noche
Luego viene la fruta que da gusto saborear
Mi viola gimió
Mi corazón se estremeció
Mi viola se rompió
Mi corazón me dejó
Por su causa soy un joven muy capaz de trabajar
Y todos los días, todas las noches, deshierbo
Sé desmalezar porque mi alma está arada y parcelada
Desmalezada con los golpes de luz de su mirada...
Mi viola gimió
Mi corazón se estremeció
Mi viola se rompió
Mi corazón me dejó
Escrita por: Heitor Villa-Lobos / Mario de Andrade