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Canario Pardo

Da Costa e Zé Matão

Canário Pardo

Gosto de cantar de viola
Nasci pra ser cantador
Mas não gosto de lembrar
Certos tempos que passou
Quantas noitadas alegres
Que esse peito já cantou
Minha rica mocidade
Que tão cedo me deixou
Parece que foi um sonho
Uma nuvem que passou

Não consigo esquecer
Um rostinho encantador
Tinha uma boca pequena
Era uma linda flor
Cabelo preto ondulado
Olhos verdes matador
Adormecia em meus braços
Acariciando o seu amor
Por que o tempo é assim
Por que o tempo não parou

Já viajei de avião
De trem de ferro e vapor
Conheci todos os estados
Capitais e interior
Pra cantar igual eu era
É natural que não sou
Meus cabelos embranqueceram
O meu rosto se enrugou
Minha vida é uma aurora
De uma manhã que passou

Tenho que viver cantando
É um dom que Deus deixou
Eu sou um caboclo simples
Nada tenho e nada sou
Todo mundo me quer bem
Dou graças ao Criador
As mocinhas do meu bairro
Até meu nome mudou
Diz que eu sou um canário pardo
Sou o rei dos cantador

Canario Pardo

Me gusta cantar con la guitarra
Nací para ser cantante
Pero no me gusta recordar
Cierto tiempo que pasó
Cuántas noches alegres
Que este pecho ya cantó
Mi rica juventud
Que tan pronto me dejó
Parece que fue un sueño
Una nube que pasó

No puedo olvidar
Una carita encantadora
Tenía una boca pequeña
Era una hermosa flor
Cabello negro ondulado
Ojos verdes asesinos
Se dormía en mis brazos
Acariando su amor
Por qué el tiempo es así
Por qué el tiempo no se detuvo

Ya viajé en avión
En tren de hierro y vapor
Conocí todos los estados
Capitales e interior
Para cantar como solía
Es natural que ya no soy
Mis cabellos se han vuelto blancos
Mi rostro se ha arrugado
Mi vida es un amanecer
De una mañana que pasó

Tengo que vivir cantando
Es un don que Dios me dejó
Soy un campesino sencillo
No tengo nada y no soy nada
Todos me quieren bien
Doy gracias al Creador
Las chicas de mi barrio
Incluso cambiaron mi nombre
Dicen que soy un canario pardo
Soy el rey de los cantantes

Escrita por: Carreirinho / Zé Matão