Sílvia
O castigo anda a cavalo
Num caminho louco até São Paulo
Num pequeno bote naufragando
Num linho branco desfiando
Na unha longa arranhando
A carne fria desgrudando
Sua negritude brutal
Seu estado civil atual
Sílvia
Sílvia
A pequena folha vai murchando
Na gota d’água borbulhando
Vários sonhos cor-laranja
Num gosto ralo de uma canja
No dia a dia dessa vida
Sofrendo a cada investida
E em seus olhos morrerá o brilho
Num suicídio louco, quase frio
Sílvia
Sílvia
As manhãs nascem tão chuvosas
Nos pés de plantações chorosas
No colo seco desse chão
Carecem do calor das suas mãos
Suplicam seu regresso a esse ninho
Em festivas doses de carinho
A entender que seu gesto de mudança
Era um sonho puro de criança
Sílvia
Sílvia
Era um sonho puro de criança
Sílvia