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Sina Nordestina

Daniel medeiros

Sina Nordestina

O meu cavalo não sustenta o pescoço e a boiada tá berrando
no curral
No no meu cachorro só se avista pele e osso
E na catinga não se vê um pé de pau

Nem pra remédio se vê chuva lá no céu
O sol é quente de queimar mandacarú
Pra comer pão eu empenhei o meu chapéu
Pra comer carne eu matei meu boi zebú

Eu já rezei mais de duzentas ave- maria
Mas, sei que o homem lá de cima é capaz
Mas, nunca mais eu vou entrar em romaria
Quem sabe ele se zanga e manda chuva de mais

Não adianta me chamar de comunista
Falar da seca da sina dos enjeitados
Eu tô cansado de esperar voto perdido
Das promessas e também dos deputados

Lá ia laia .....

Sina Nordestina

Mi caballo no aguanta el cuello y el ganado está mugiendo en el corral
Mi perro solo muestra piel y hueso
Y en la sequedad no se ve ni un árbol

Ni siquiera para medicina hay lluvia en el cielo
El sol quema como mandacarú
Para comer pan empeñé mi sombrero
Para comer carne maté mi toro cebú

He rezado más de doscientas avemarías
Pero sé que el hombre de arriba es capaz
Pero nunca más iré en peregrinación
Quién sabe si se enoja y manda más lluvia

No sirve de nada llamarme comunista
Hablar de la sequía, del destino de los desamparados
Estoy cansado de esperar votos perdidos
De las promesas y también de los diputados

La ia laia .....

Escrita por: Daniel Medeiros / Jairo Araujo