395px

Polvo

Danielle Cavalcante

Poeira

O carro de boi lá vai
Gemendo lá no estradão
Suas grandes rodas fazendo
Profundas marcas no chão

Vai levantando poeira, poeira vermelha
Poeira, poeira do meu sertão

Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão
Vai mugindo e vai ruminando
Cabeças em confusão

Vai levantando poeira, poeira vermelha
Poeira, poeira do meu sertão

Olha só o boiadeiro
Montado em seu alazão
Conduzindo toda a boiada
Com seu berrante na mão

Seu rosto é só poeira, poeira vermelha
Poeira, poeira do meu sertão

Poeira entra meus olhos
Não fico zangado não
Pois sei que quando eu morrer
Meu corpo irá para o chão
Se transformar em poeira, poeira vermelha
Poeira, poeira do meu sertão

Poeira do meu sertão, poeira
Poeira do meu sertão

Polvo

El carro de bueyes allá va
Gimiendo en el camino
Sus grandes ruedas haciendo
Marcas profundas en el suelo

Levanta polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Mira, señor, el ganado
Buscando el arroyo
Mugiendo y rumiando
Cabezas en confusión

Levanta polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Mira al arriero
Montado en su corcel
Guiando todo el ganado
Con su cuerno en la mano

Su rostro es solo polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

El polvo entra en mis ojos
No me enojo
Porque sé que cuando muera
Mi cuerpo irá al suelo
Se transformará en polvo, polvo rojo
Polvo, polvo de mi tierra

Polvo de mi tierra, polvo
Polvo de mi tierra

Escrita por: