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Nojturno Acc.54XXX

Degenerare principe

Amar: Corte de navalha
Escorrendo pela carne
Desce fundo, rasgando o peito
Deleitando-nos com o orgasmo
Da não-existência
Salgando para que não apodreça
E que a gente aceita, porque não tem outro jeito

Amar, mas amar até as veias
Um amor-caveira
Que só compete aos egoístas

Amar, amar, será que entendi?
Talvez aprendi na maré-cheia
Na larica gnóstica das freiras
Na mão que pega sem pedir
No sorriso que se abre pra cuspir
E se nunca amei?
E se esse peso na vida
For só cansaço?

Amar é coisa de escravo
Te ver ser arrastada para o porão
Sem (im) pedir
Para que me levem

É o metal roçando a costela
A dor da vida que se parte
Mas quem sangra sou eu!
Tuas mãos no cabo
Confortam as minhas

Tu vem?

É te olhar
E não ver nada
Além do meu riso
Se amamentado

Sou tu, meu bem
Quebra meu crânio com um porrete
Liberte os pensamentos de lá de dentro
E veja o amor na única forma de pureza existente: A mental

Mas fura teus olhos primeiro
Perca a cabeça
Para que veja algo além de si
Errado! Tu sou eu
Me conte: O que é amar?

É o murmúrio da vila
A voz do vizinho no muro
O povo todo reunido pra apontar
Amar foi buscar foder
Chorando no caminho

(E o corpo da cama não queria só foder)

Escrita por: Anrihardo Zohara