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Aguas de Adentro

Délcio Tavares

Águas de Dentro

Os rios que carrego
Tem águas vermelhas
Mais rubras que as águas
No alto Uruguai

São águas paridas
Na fonte da vida
Vertentes perdidas
Na história dos pais

Nas águas de dentro
No rio das funduras
Navegam sementes
Plantadas em nós

São águas maduras
As águas vermelhas
Os veios antigos
Que vem dos avós

As águas de dentro
São águas de mim
Farão corredeira
Além do meu tempo
Depois do meu fim

As águas de herança
Dos rios que carrego
Vermelhas da ânsia
De antigos caudais

Tem força de braço
No corte do relho
E remanso sereno
Na luz de ancestrais

Os rios que carrego
Farão descendência
Somando as memórias
Trazidas de mim

E as águas de dentro
Serão corredeiras
Nas veias dos filhos
Depois do meu fim

Aguas de Adentro

Los ríos que cargo
Tienen aguas rojas
Más rojas que las aguas
En el alto Uruguay

Son aguas paridas
En la fuente de la vida
Vertientes perdidas
En la historia de los padres

En las aguas de adentro
En el río de las profundidades
Navegan semillas
Plantadas en nosotros

Son aguas maduras
Las aguas rojas
Los antiguos cauces
Que vienen de los abuelos

Las aguas de adentro
Son aguas de mí
Harán rápidos
Más allá de mi tiempo
Después de mi fin

Las aguas de herencia
De los ríos que cargo
Rojas del anhelo
De antiguos caudales

Tienen fuerza de brazo
En el corte del látigo
Y remanso sereno
En la luz de ancestros

Los ríos que cargo
Harán descendencia
Sumando las memorias
Traídas de mí

Y las aguas de adentro
Serán rápidos
En las venas de los hijos
Después de mi fin

Escrita por: José F Gonzales / Talo Pereyra e Luiz Bastos