Não sou gema rara em cofre de cedro
Nem brilho que a traça ou o tempo consome
Sou barro amassado, sou rastro no chão
Um pulso cansado que busca seu nome
O pó das estradas é o meu sobrenome
Guarda da vinha, mordomo da casa
Não sou o tesouro, sou a mão que o conduz
O peso dos fardos é a forma da graça
A chama que treme, mas guarda a luz
Sou apenas o esteio que as tormentas não desfazem
Sou apenas o esteio que as tormentas não desfazem
As chuvas castigam, mas fartam as colheitas
Não peço o descanso, nem a sombra do rei
A minha riqueza são as terras desfeitas
A semente que morre na lei do que eu sei
No rosto marcado, o chamado que eu abracei
Guarda da vinha, mordomo da casa
Não sou o tesouro, sou a mão que o conduz
O peso dos fardos é a forma da graça
A chama que treme, mas guarda a luz
Sou apenas o esteio que as tormentas não desfazem
Sou apenas o esteio que as tormentas não desfazem
O ouro derrete na forja dos tempos!
A carne é poeira que os ventos conduzem!
Mas quem se faz servo no meio dos ventos
Vê no seu nada a cruz que reluz!
Aqui não há joias, só há aliança!
A glória é do Mestre, a minha é a esperança!
Apenas o barro
Apenas o pó nas Tuas mãos
A mão que conduz
Apenas o pó
Amém