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2070

Diego Mascate

2070

Enquanto faço essa sopinha
Penso na sua e na minha
Vida
Não sei bem o que quero
Se ser zen ou abrir uma cerveja

Enquanto canto nessa cozinha
Vejo a validade dessa latinha
Lembro que vou morrer
Antes do ano dois mil
E setenta

Quando eu for um fóssil
Não terei remorsos
Talvez seja mais fácil
Não te amar, nem fazer negócios

E quando janto essas letrinhas
Lembro da rua e da nossa
Briga
Finjo ler o jornal
E a vida vai seguindo na mesma novela

Se eu for embora
Jogo a sopa fora
Digo tchau pro cachorro
Nada mais me protege, nem me apavora

2070

Mientras preparo esta sopita
Pienso en la tuya y en la mía
Vida
No sé bien lo que quiero
Si ser zen o abrir una cerveza

Mientras canto en esta cocina
Veo la fecha de vencimiento de esta latita
Recuerdo que moriré
Antes del año dos mil
Y setenta

Cuando sea un fósil
No tendré remordimientos
Quizás sea más fácil
No amarte, ni hacer negocios

Y cuando ceno estas letritas
Recuerdo la calle y nuestra
Pelea
Fingo leer el periódico
Y la vida sigue en la misma telenovela

Si me voy
Tiro la sopa
Le digo adiós al perro
Nada me protege, ni me asusta más

Escrita por: Enzo Banzo, Diego de Moraes