Anuário
Atrás dessa foto mistério desfaço,
Sem ter no acaso um fardo a pesar.
Estando descalço miséria disfarço,
Em panos veludos, farrapos no olhar.
Conservo discórdia e semeio espanto,
Não há oceano em que possa vagar.
Aqui ou distante meu peito ofegante,
Encerra no tempo seu gosto por paz!
São os ponteiros do relógio que perseguem o fim.
Enquanto os dias comemoram, não se sabe o que.
Há meia-hora ou dez minutos não pude sentir,
Mas muitos números me restam pra tentar fugir.
Eu congelei minhas pulsações por você:
Minha intenção peculiar de viver.
Mais um segundo pra que eu possa guardar,
Essas memórias que não irão se calar.
De servo a rei.
Escravo do que posso ser.
A chama acesa vai queimar o meu pecado maior
E só assim eu poderei voltar a sorrir!
Anuario
Detrás de esta foto deshago el misterio,
Sin tener en el azar una carga que pesar.
Estando descalzo disimulo la miseria,
En telas de terciopelo, harapos en la mirada.
Conservo discordia y siembro espanto,
No hay océano en el que pueda vagar.
Aquí o lejos, mi pecho agitado,
Encierra en el tiempo su anhelo por paz.
Son las manecillas del reloj las que persiguen el final,
Mientras los días celebran, no se sabe qué.
Hace media hora o diez minutos no pude sentir,
Pero muchos números me quedan para intentar escapar.
Congelé mis pulsaciones por ti:
Mi peculiar intención de vivir.
Un segundo más para que pueda guardar,
Estos recuerdos que no callarán.
De siervo a rey,
Esclavo de lo que puedo ser.
La llama encendida quemará mi mayor pecado
Y solo así podré volver a sonreír!
Escrita por: Bruno Drumond