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Lamento Sertanejo

Dominguinhos

Lamento Sertanejo

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da Caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Viver na cidade sem ficar contrariado

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando a esmo

Lamento Sertanejo

Parce que je viens de là
Du sertão, de la brousse
De l'intérieur des bois
De la Caatinga, des champs
Je sors presque jamais
J'ai presque pas d'amis
J'arrive presque pas
À vivre en ville sans être en rogne

Parce que je viens de là
C'est sûrement pour ça
J'aime pas les lits trop mous
Je sais pas manger sans chicharrón
Je parle presque pas
Je sais presque rien
Je suis comme une bête égarée
Dans cette foule, le troupeau qui avance à l'aveuglette

Escrita por: Gilberto Gil, Dominguinhos