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Pandemia

Dorsal Atlântica

Parece o fim da estrada
Último raio de luz, uhu, uhu, uhu, uhu
Não sei, eu não sei o que pensar, calei-me
Há quarenta anos falo de solidariedade
Canto sempre em nome da verdade
Cantava em Take Time e Searching for the Light
Quem tem um olho não é cego
Essa culpa eu não carrego

Quando o sol deu três voltas
Os mortos levantaram dos caixões
Cada beijo uma sentença
Saturno, Marte e Plutão

Pandemia, inocentes não há, não há
Pandemia, somos todos nós
Eu sei
Eu sei

O governo equino precisa manter o trono
O jumento candidato a ministro agita a massa
Cresce irracionalmente, faz parte de um plano
Empoderar os ressentidos que odeiam o ser humano

Grande matilha de cães canta para o Deus Sumé
Para que nasça o Messias que acabe com o Candomblé
Adote inglês como língua, queimem pilhas de livros
E a Amazônia rapinem

Pandemia, inocentes não há, não há
Pandemia, somos todos nós

De uma latrina no chão ergue-se a criatura
Bebê de Rosemary, sangue na ferradura
O gado intoxicado e o ar contaminado
Isso é ser anti-sistema?

A revolução que virá
Quando Joana d'Arc se queimar
Escravo compra escravo, animal come animal
O povo de Brasilândia, dizem, é multirracial

Onde o sabiá cantava, hoje baila o Satanás
Cavalo é montaria militar
A revolução que virá
Quando Joana d'Arc se queimar

Queimem, Joana, piranha, vagabunda, petista, maconheira
Meretriz, funcionária pública, artista, autista, sinistra
Abortista, celetista, cotista, mendiga, gentalha
Queimem, queimem, queimem
Queimem, queimem, queimem
Queimem, queimem, queimem
Queimem, queimem, queimem