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Habló y Dijo

Dudu e Eliseo Pasquali

Falou e Disse

Gavião da minha foice não pega pinto
Também a mão de pilão não joga peteca
O cabo da minha enxada não tem divisa
As menina dos meus olhos não tem boneca

A bala do meu revólver não tem açúcar
No cano da carabina não vai torneira
A porca do parafuso nunca deu cria
Na casa do João de Barro não tem goteira

O cravo da ferradura não vai no doce
A Serra da Mantiqueira nunca serrou
A pata do meu cavalo não bota ovo
Eu não vou comer o pão que o diabo amassou

Os quatro reis do baralho não tem castelo
Também o quatro de paus não é de madeira
Por onde o navio passa não tem asfalto
Caminho que vai pra Lua não tem poeira

Cachaça não dá rasteira, derruba a gente
A língua da fechadura não faz fofoca
Pra fazer este pagode não foi brinquedo
Eu me virei no avesso e não sou pipoca

Habló y Dijo

El halcón de mi hoz no atrapa pollitos
Tampoco la mano de mortero juega a la rayuela
El mango de mi azada no tiene límites
Las chicas de mis ojos no tienen muñeca

La bala de mi revólver no tiene azúcar
En el cañón del rifle no hay grifo
La tuerca del tornillo nunca ha dado cría
En la casa del Juan Pájaro no hay goteras

El clavo de la herradura no va en lo dulce
La Sierra de la Mantiqueira nunca ha serrado
La pata de mi caballo no pone huevos
No voy a comer el pan que el diablo amasó

Los cuatro reyes de la baraja no tienen castillo
Tampoco el cuatro de bastos es de madera
Por donde pasa el barco no hay asfalto
El camino que va a la Luna no tiene polvo

El aguardiente no da zancadillas, nos derriba
La lengua de la cerradura no chismea
Para hacer este pagode no fue un juego
Me volteé del revés y no soy palomitas de maíz

Escrita por: José Dias Nunes / Lourival dos Santos / Natalina Rodrigues