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Conversación informal

Dulce Quental

Conversa Informal

Eu não quero interpretar nada, nenhum gesto, nenhuma palavra.
Sentimentos ou ressentimentos, numa conversa cantada.
Não procuro um jeito de acertar ou encaixar nada.
O que não cabe em mim agora, tenho que aceitar.
O que eu não quero, eu não posso de repente inventar.

Como se fosse possível desfazer as palavras em amor.
Não quero consertar a lâmpada queimada que queimou.
Ou reviver a ilíada de uma odisséia que acabou.

O gosto salgado do mar no meio do lixo do caos do barulho.
As cores tão fortes das frutas na feira entre folhas e verduras.
A graça da luz da manhã entre o som e a fúria da praça da paz.
Estou assustada mas não há mais mágoa, não magoa mais.

Ódio no meu coração eu não quero que entre e me acolha.
Amarga é a vida que não perdoa sentimentos ou ressentimentos.
Nada que o tempo não encontre a cura.

Conversación informal

No quiero interpretar nada, ni gestos, ni palabras
Sentimientos o resentimientos, en una conversación cantada
No estoy buscando una manera de hacer nada bien o encajar
Lo que no me queda en este momento, tengo que aceptar
Lo que no quiero, no puedo inventar de repente

Como si fuera posible deshacer las palabras en el amor
No quiero arreglar la bombilla quemada que quemaste
O revivir la iliada de una odisea que ha terminado

El sabor salado del mar en medio de la basura del caos del ruido
Los colores tan fuerte fruta en la feria entre hojas y verduras
La gracia de la luz de la mañana entre el sonido y la furia de la plaza de la paz
Tengo miedo, pero ya no hay dolor, ya no duele

Odio en mi corazón. No quiero que vengas y me aceptes
Amarga es la vida que no perdona sentimientos o resentimientos
Nada que el tiempo no pueda encontrar una cura

Escrita por: Dulce Quental