395px

Filho do Dono / Meu Cenário

DUPÊ

Não sou profeta
Nem tão pouco visionário
Mas o diário desse mundo tá na cara
Um viajante na boleia do destino
Sou mais um fio da tesoura e da navalha

Levando a vida, tiro verso da cartola
Chora viola nesse mundo sem amor
Desigualdade rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia
Que console um cantador
A natureza na fumaça se mistura
Morre a criatura e o planeta sente a dor

O desespero no olhar de uma criança
A humanidade fecha os olhos pra não ver
Televisão de fantasia e violência
Aumenta o crime, cresce a fome do poder

Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa porque sou filho do dono

Boi com sede bebe lama
Barriga seca não dá sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa porque sou filho do dono

Uma vez eu conheci uma menina, uma bandida
O nome dela era Milena
E essa mulher, ah essa mulher, parceiro
Quase custou minha vida, minha carreira, minha sanidade mental
Mas não tem nenhum dia que eu não lembre de quando eu quase morri nos braços dessa filha da

Nos braços de uma morena, quase morro um belo dia
Ainda me lembro o meu cenário de amor
Um lampião aceso, um guarda-roupa escancarado
Um vestidinho amassado debaixo de um batom
Um copo de cerveja e uma viola na parede
E uma rede convidando a balançar
Num cantinho da cama, um rádio a meio volume
Um cheiro de amor e de perfume pelo ar

Numa esteira, o meu sapato pisando o sapato dela
Em cima da cadeira, aquela minha bela cela
Ao lado do meu velho alforge de caçador
Que tentação, minha morena, me beijando feito abelha
E a Lua malandrinha pela brechinha da telha
Fotografando o meu cenário de amor

Minutos antes, o meu ca-
Pega no tabaco
Eee aí é outra letra
Aquela minha bela cela
Ao lado do meu velho alforge de caçador
Que tentação, minha Milena, me beijando feito abelha
E uma Tekpix escondida atrás da mesa
Fotografando o meu cenário de pôr

Escrita por: