Seu moço, preste atenção
No causo que vou contar
Vim vindo de muito longe
Pra poder me apresentar
Sou um homem da palhoça
Criado lá na roça
Onde canta o sabiá
Quem me vê nas calçadas jogado
Vivendo assim de favor
Não sabe o preço pesado
Que paguei por esse amor
Fiz tudo o que eu podia
Até que chegou o dia
Que a traição me abraçou
Não me trate mal, seu moço
Não venho lhe pedir nada
Só peço que me escute
E me aponte uma estrada
Pois quem foi muito querido
Hoje vive esquecido
E jogado na calçada
Quem me vê nas calçadas jogado
Vivendo assim de favor
Não sabe o preço pesado
Que paguei por esse amor
Fiz tudo o que eu podia
Até que chegou o dia
Que a traição me abraçou
Como é triste a solidão
Dói demais no peito meu
Sem ter casa e sem carinho
Veja o que me aconteceu
Minha vida não vale nada
Nesta rua abandonada
Ninguém a mão me estendeu
Então me dê sua mão
Me ajude a levantar
Aponte o rumo certo
Pra eu poder recomeçar
Sou apenas um roceiro
Nesse mundo passageiro
Buscando um porto pra pousar
O Sol já está se pondo
E o frio vem chegar
Vou me cobrindo com os restos
Que a vida tem pra dar
Se não tem um bom conselho
Me deixe aqui de joelho
Esperando Deus me buscar
Vá simbora, siga a guia
Deixe o meu peito murchar
Pois quem deu amor sincero
E só espinho viu brotar
Dorme hoje no relento
Com o seu arrependimento
Sem ter colo pra deitar