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Dans le Cordão da Saideira

Edu Lobo

No Cordão da Saideira

Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
E na praça ninguém pra cantar
Me lembro tanto
E é tão grande a saudade
Que até parece verdade
Que o tempo inda pode voltar

Tempo da praia de ponta de pedra
Das noites de lua, dos blocos de rua
Do susto é carreira na caramboleira
Do bomba-meu-boi
Que tempo que foi
Agulha frita, munguzá, cravo e canela
Serenata eu fiz pra ela
Cada noite de luar

Tempo do corso, na Rua da Aurora
É moço no passo
Menino e senhora do bonde de Olinda
Pra baixo e pra cima
Do caramanchão
Esqueço mais não
E frevo ainda apesar da quarta-feira
No cordão da saideira
Vendo a vida se enfeitar

Dans le Cordão da Saideira

Aujourd'hui, pas de danse
Pas de fille avec des tresses
Ni l'odeur de la lance dans l'air
Aujourd'hui, pas de frevo
Des gens passent avec peur
Et sur la place, personne pour chanter
Je me souviens tant
Et la nostalgie est si grande
Que ça en devient vrai
Que le temps peut encore revenir

Temps de la plage de Ponta de Pedra
Des nuits de lune, des blocs de rue
Des frayeurs, c'est la course dans la carambole
Du bomba-meu-boi
Quel temps c'était
Aiguille frite, munguzá, clou de girofle et cannelle
J'ai fait une sérénade pour elle
Chaque nuit de clair de lune

Temps du corso, rue de l'Aurora
C'est un jeune homme dansant
Gamin et dame du tram d'Olinda
En haut et en bas
Sous le caramanchão
J'oublie pas
Et le frevo encore malgré le mercredi
Dans le cordão da saideira
Je vois la vie se parer

Escrita por: Edú Lobo