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Galopando

Eduardo Filizzola

Agalopado

Quando eu canto o seu coração se abala
Pois eu sou porta-voz da incoerência
Desprezando seu gesto de clemência
Sei que meu pensamento lhe atrapalha
Cego o Sol seu cavalo de batalha
E faço a Lua brilhar no meio-dia
Tempestade eu transformo em calmaria
E dou um beijo no fio da navalha
Pra dançar e cair nas suas malhas
Gargalhando e sorrindo de agonia

Se acaso eu chorar não se espante
O meu riso e o meu choro não têm planos
Eu canto a dor, o amor, o desengano
E a tristeza infinita dos amantes
Don Quixote liberto de Cervantes
Descobri que os moinhos são reais
Entre feras, corujas e chacais
Viro pedra no meio do caminho
Viro rosa, vereda de espinhos
Incendeio esses tempos glaciais

Galopando

Cuando canto tu corazón se estremece
Pues soy portavoz de la incoherencia
Despreciando tu gesto de clemencia
Sé que mi pensamiento te molesta
Ciego el Sol, tu caballo de batalla
Y hago brillar la Luna al mediodía
Tormenta la transformo en calma
Y doy un beso en el filo de la navaja
Para bailar y caer en tus redes
Riendo a carcajadas y sonriendo de agonía

Si acaso lloro, no te asustes
Mi risa y mi llanto no tienen planes
Canto el dolor, el amor, el desengaño
Y la tristeza infinita de los amantes
Don Quijote liberado de Cervantes
Descubrí que los molinos son reales
Entre fieras, búhos y chacales
Me convierto en piedra en medio del camino
Me convierto en rosa, sendero de espinas
Incendio estos tiempos glaciales

Escrita por: Alçeu Valença