Um Carro de Bois
Quem me dera que a minha vida
Fosse um carro de bois
Que vem a chiar,
Manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio
Volta depois
Quase à noitinha
Pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças
- Tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas
Nem cabelo branco...
Quando eu já não servia,
Tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido
No fundo de um barranco.
Un Carro de Bueyes
Ojalá mi vida
Fuera un carro de bueyes
Que viene chirriando,
Mañanita temprano, por el camino,
Y que de donde vino
Regresa luego
Casi al anochecer
Por el mismo camino.
No tendría que tener esperanzas
- Solo tendría que tener ruedas...
Mi vejez no tendría arrugas
Ni cabello blanco...
Cuando ya no servía,
Me quitaban las ruedas
Y quedaba volteado y partido
En el fondo de un barranco.
Escrita por: Alberto Caieiro / Renato Motha