Sertão Vazio
Sertão vazio, gigante adormecido
Coração ferido por golpes fatais
Ninho sem ave, jardim sem flor
Começo de dor, final de uma paz
No teu recanto cheio de tristeza
Chora a natureza, o riacho murmura
Vivo na cidade, sou um pobre coitado
Longe do roçado colhendo amargura
Os donos do mundo com golpes vibrantes
Meu sertão gigante fez adormecer
Velhas tradições caíram pra sempre
Ficando somente a brisa a gemer
Descendo serra entre verde mato
Soluça o regato despertando a fonte
Até a Lua que era risonha
Parece tristonha lá no horizonte
Sertão vazio devagar vai morrendo
Em silêncio sofrendo a destruição
Igual tecido desfeito em retalhos
Gotas de orvalhos sumindo no chão
Lágrimas de sangue derramando eu vejo
Muitos sertanejos com alma ferida
Meu sertão vazio dorme soluçando
Acorda chorando nas manhãs sem vida
Aqui bem distante um grande desgosto
Sentindo no rosto meu pranto cair
Sertão vazio é um reinado sem rei
Seu nome gritarei pra cidade ouvir
As grandes cidades sem agricultura
Ninguém segura sua marcha-ré
Querido sertão, poderosa raiz
Sem você meu país não aguenta de pé
Sertão Vacío
Sertão vacío, gigante adormecido
Corazón herido por golpes fatales
Nido sin ave, jardín sin flor
Comienzo de dolor, final de una paz
En tu rincón lleno de tristeza
Llora la naturaleza, el arroyo murmura
Vivo en la ciudad, soy un pobre desdichado
Lejos del sembradío cosechando amargura
Los dueños del mundo con golpes vibrantes
Mi sertão gigante hizo adormecer
Viejas tradiciones cayeron para siempre
Quedando solamente la brisa gimiendo
Bajando la sierra entre verde matorral
Solloza el arroyo despertando la fuente
Hasta la Luna que era risueña
Parece triste en el horizonte
Sertão vacío lentamente va muriendo
En silencio sufriendo la destrucción
Igual a un tejido deshecho en retazos
Gotas de rocío desapareciendo en el suelo
Lágrimas de sangre derramando veo
Muchos sertanejos con el alma herida
Mi sertão vacío duerme sollozando
Despierta llorando en las mañanas sin vida
Aquí muy lejos un gran desconsuelo
Sintiendo en el rostro mi llanto caer
Sertão vacío es un reino sin rey
Su nombre gritaré para que la ciudad escuche
Las grandes ciudades sin agricultura
Nadie detiene su marcha atrás
Querido sertão, poderosa raíz
Sin ti mi país no se sostiene
Escrita por: Arlindo Rosas / Tião Carreiro / Toninho