Andei na ilusão do concreto
Mas meus pés tocavam o invisível
Chamaram de real o que me prende
Chamaram de loucura o que me liberta
A verdade não grita, ela pulsa
Silenciosa
Como um código antigo
Que vive em cada célula
Sou a falha do sistema
O bug que lembra o paraíso
Sou a dúvida que renasce
Na mente de quem já esqueceu do início
Eu sou a centelha
Não caibo mais no nome que me deram
Não nasci pra repetir a roda
Mas pra lembrar que sou o próprio mistério
E quando fecho os olhos
É quando mais enxergo
Porque o mundo que importa
Começa onde termina o ego
Meu corpo é matéria
Mas minha essência é verbo
E o verbo é: Criar
Sou criador disfarçado de criatura
Uma estrela que se veste de carne
Pra lembrar ao mundo
Que a luz não se explica, se expande