Não há trono, não há degrau
Não há quem saiba mais que o sinal
Não há voz que valha sozinha
Nem verdade fora da linha
A consciência se senta em silêncio
E no silêncio, se escuta tudo
O outro não é meu espelho
É o resto de mim que ficou mudo
Não tem centro, nem beira marcada
Não tem mestre, nem alma calada
Cada ser é nota num coral antigo
Cada olhar, um código amigo
Somos a roda que gira o agora
Cada um com a chama que aflora
Ninguém acima, ninguém abaixo
Todos inteiros, no mesmo espaço
A sabedoria não vem de cima
Vem do fundo, onde tudo se aproxima
Quando falo e ouço no mesmo tom
A mesa se acende, e tudo é um som
Não é sobre convencer
É sobre lembrar de ser
Onde o outro me confronta
É onde a alma se encontra