395px

Cachaça

Elymar Santos

Cachaça

Num pileque qualquer
Você chega em casa
Não me beija e nem vê
Que eu preciso de amor pra viver
E se deita na cama
Com aquela cachaça
Que adormece o demônio
Que o teu corpo embriaga
E devora o homem-criança
Que aos poucos se acaba
E eu me dispo ao seu lado
Eu fico pelada
Penalizada, fissurada
Tão precisada te olho
Me roço e me roço na cama
É claro
Pra saciar me desejo
Eu te beijo
E me acabo sozinha
Me chego um tiquinho
Te dou outro beijinho
Me viro pro lado
E consigo dormir
E no dia seguinte
Você me chega de novo
Embriagado
Fedendo a cachaça
Se deita ao meu lado
Me morde, me beija
Me deixa molinha
E depois me pergunta
Seu eu quero fazer
Eu respondo o quê?
Então você grita
Fazer o meu prato
Que eu tô no rango
E preciso comer

Eta cachaça!
Eta cachaça danada
Que acabou com o homem
Que me dava prazer
Foi essa mesma cachaça
Que me botou na vida
Se você quer saber.

Cachaça

En cualquier borrachera
Llegas a casa
No me besas ni ves
Que necesito amor para vivir
Y te acuestas en la cama
Con esa cachaça
Que adormece al demonio
Que embriaga tu cuerpo
Y devora al hombre-niño
Que poco a poco se acaba
Y yo me desnudo a tu lado
Quedo desnuda
Afligida, ansiosa
Tan necesitada te miro
Me froto y me froto en la cama
Por supuesto
Para saciar mi deseo
Te beso
Y termino sola
Me acerco un poquito
Te doy otro besito
Me doy la vuelta
Y logro dormir
Y al día siguiente
Vuelves a mí
Embriagado
Apestando a cachaça
Te acuestas a mi lado
Me muerdes, me besas
Me dejas débil
Y luego me preguntas
Si quiero hacerlo
Yo respondo ¿qué?
Entonces gritas
Haz mi plato
Que tengo hambre
Y necesito comer

¡Ay cachaça!
¡Ay cachaça maldita
Que acabó con el hombre
Que me daba placer
Fue esa misma cachaça
La que me metió en la vida
Si quieres saber.

Escrita por: