A minha Angola é suor de escravizado
Ancestral divinizado
Travessia da Kalunga
O axé vem de Luanda
À flor da pele retinta
Pra compor Luzia Pinta
Nos primórdios da macumba
Meu pai Nzambi destinou Temba Ndumba
Me livrando da quiumba
Protegida por Kilundos
Xinguila quem desperta energia
Minha história renascia
Ancorada entremundos
Tem magia nas águas de Sabará
Pro mistério incorporar, mandingueira
Nega curandeira tem erva, pau-santo, cipó, abutua
É mironga na mata, sob o clarão da Lua
Rezei, benzi, bani a aflição
Quem é de Kalundu não sente medo
Resisti à opressão, enfrentei a hipocrisia
E a quem chamou heresia
Meu inquise, meu segredo
Gira a saia, roda Yabá
Sopra o vento de adivinhar
Toda mulher preta é fundamento
O meu legado não se apaga com o tempo
Em Cavalcanti, floresci bela Kitula
Vai ter kizomba sob o toque da cabula
Vem riscar pemba que hoje tem samborê
Dandalunda, maimbanda, coquê
Vem riscar pemba, mametu, pembelê
Dandalunda, maimbanda, coquê
Ô Zambi, Zambi é de Angolá
É jogo feito pra alafiar
Firma palma de macumba
Traz Luzia o povo bantu
Sou Em Cima da Hora, teu filho de santo
Escrita por: Manolo, Mateus Pranto, Diego Nicolau, Cláudio Russo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Gui Karraz, Brian Santos, Marcota de Cavalcanti