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Emplasto

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Tudo que eu já escrevi
Tudo que eu já pensei
Quantas vezes já morri
Quantas já ressuscitei
Nos lugares que eu já fui
Nas ruas que já andei
As pessoas que eu feri
Dos cortes que eu já sangrei
Nada tem tanto sentido
Nada tem tanto valor
Bem antes de começar
Vejo que já terminou

E nada importa tanto assim
Não espere nada de mim

Eu não quero muitas coisas
Nem quero tantos problemas
Só quando o meu dia muda
Quando inverno sai de cena
Nem órfãos da ditadura
Nem a situação geral
Nem as frases obscuras
Nem a guerra espacial
Não venero
Não aceito
Eu não amo
Eu não odeio

E nada importa assim
Não espere nada de mim

222

Todo lo que he escrito
Todo lo que he pensado
Cuántas veces he muerto
Cuántas veces he resucitado
En los lugares que he estado
En las calles que he caminado
Las personas que lastimé
De las heridas que sangré
Nada tiene tanto sentido
Nada tiene tanto valor
Antes de empezar
Veo que ya ha terminado

Y nada importa tanto
No esperes nada de mí

No quiero muchas cosas
No quiero tantos problemas
Solo cuando mi día cambia
Cuando el invierno se va
Ni huérfanos de la dictadura
Ni la situación general
Ni las frases oscuras
Ni la guerra espacial
No venero
No acepto
No amo
No odio

Y nada importa así
No esperes nada de mí

Escrita por: Fábio Gabriel / Luiz Navar