Tenho um chapéu aba quinze
Que herdei do falecido avô
Que traz na copa o formato
Da cabeça que o moldou
Chapéu de feltro tapeado
Do tempo que já passou
Nasceu na marca Ramenzoni
Foi comprado num armazém
E hoje, encarando o tempo
Não deve nada a ninguém
Sabe o peso de um segredo
E o valor que o respeito tem
Já aparou chuva de pedra
Serviu pra abanar o fogo
Já foi cacimba na estrada
E parceiro de truco em jogo
É o passaporte da estampa
Deste gaúcho monarca e togo
Quando o vento minuano
Vem fustigando a coxilha
Eu firmo o aba quinze na testa
E sinto o sangue farroupilha
Aba larga contra o sol
Orgulho de uma família
Não troco por moda nova
Nem por chapéu de playboy
Porque o meu aba quinze
Sabe o que a saudade dói
É a herança da terra
De um velho que já foi herói