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ATMOSFERA

Enzo Brown

Luz baixa no quarto, cidade acordada
Promessas no ar, mente focada
Dois mundos batendo, noite pesada
Do nada pra tudo, rota traçada

Eu lembro da fase sem ter quase nada
Bolso vazio, mas mente afiada
Hoje a corrente reflete na sala
E a mesma ambição continua instalada

Telefone vibra, proposta chegando
Ela me observa, sorriso chamando
Salto alto lento, corpo balançando
Clima perigoso, quarto abafando

Diz que eu mudei, mas sigo o mesmo
Só mais calado, porém mais intenso
Toque suave, olhar suspenso
Pele com pele, silêncio denso

Eu vim do concreto, hoje no veludo
Grana no tempo, lucro mudo
Ela provoca, clima absurdo
Mas minha mente ainda no estudo

Subo sem pressa, degrau por degrau
Nada me freia, eu sigo natural
Noite quente, coração gelado
Do nada eu virei caro e raro

Chuva no vidro, rua vazia
Banco reclinado, respiração fria
Ela encostando, pouca luz guia
Diz que meu jeito causa euforia

Mão na corrente, brilho discreto
Olhar distante, pensamento reto
Sem falsidade, círculo seleto
Poucos comigo, progresso direto

Ela sussurra perto do ouvido
Pergunta se eu sempre fui decidido
Respondo baixo, tom contido
Eu só fiquei mais perigoso e frio

Noite longa, sem plateia
Respiração, atmosfera cheia
Entre desejo e estratégia
Minha vitória vira matéria

Eu vim do concreto, hoje no veludo
Grana no tempo, lucro mudo
Ela provoca, clima absurdo
Mas minha mente ainda no estudo

Subo sem pressa, degrau por degrau
Nada me freia, eu sigo natural
Noite quente, coração gelado
Do nada eu virei caro e raro

Cidade dorme, eu acelerado
Ela sorrindo, corpo colado
Futuro caro, destino traçado
Do nada eu virei inalcançável e raro

Escrita por: Enzo Brown