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Para Hacer Mi Baión

Eudes Fraga

Pra Fazer o Meu Baião

me lembrei do sertão
pra fazer o meu baião
do cangaceiro
de fuzil na mão
do chicote de meia-braça
do osso de uma carcaça
do feijão macaça
do calor do chão
do retirante
da avoante
do facheiro
campina grande
são francisco e juazeiro
de romaria e procissão
da carpideira
da mulher rendeira
do cordel
da cruz e do chapéu
de ciço romão
de silvino, de corisco
e lampião
de frei damião
me lembrei do sertão
pra fazer o meu baião
do boiadeiro
com o seu gibão
de canudos
de conselheiro
de jackson do pandeiro
e do sanfoneiro
grande gonzagão
do solo rude
do açude, do agreste
da macaxeira
da peixeira, do nordeste
da cantoria do quadrão
da gemedeira
do cego de feira
do forró, do chamego
e do xodó
que agradinho bom!
da fogueira, do cuscuz
e do quentão
do meu são joão

Para Hacer Mi Baión

me acordé del sertão
para hacer mi baión
del cangaceiro
cargando un fusil
el látigo de media vara
del hueso de una carcasa
del frijol macaça
del calor del suelo
del retirante
de la avoante
del facheiro
campina grande
são francisco y juazeiro
de romería y procesión
de la plañidera
de la mujer tejedora
del cordel
de la cruz y del sombrero
de ciço romão
de silvino, de corisco
y lampião
de frei damião
me acordé del sertão
para hacer mi baión
del vaquero
con su chaqueta
de canudos
de conselheiro
de jackson do pandeiro
y del acordeonista
el gran gonzagão
del suelo áspero
del embalse, del agreste
del ñame
del cuchillo, del nordeste
de la cantoria del cuadrão
del gemido
del ciego de feria
del forró, del coqueteo
y del cariño
¡qué gustito!
de la hoguera, del cuscús
y del ponche
de mi san juan

Escrita por: Eudes Fraga / Paulo César Pinheiro