De Costas Voltadas
Nunca fui o que quiseste
Fui sempre o que não gostavas
Deitei fora o que me deste
Pedi-te o que não me davas
Fui abraço de serpente
E beijo amargo limão
Fui um filho sem ser gente
Mão que é prego noutra mão
Fui promessa perdida
E rosto que não se encara
Dor que não chega a ser ferida
E até por isso não sara
Foi noites sem madrugadas
Cuidado sem aflição
Estamos de costas voltadas
Do berço ao caixão
De Costas Voltadas
Nunca fui lo que querías
Siempre fui lo que no te gustaba
Tiré lo que me diste
Te pedí lo que no me dabas
Fui abrazo de serpiente
Y beso amargo a limón
Fui un hijo sin ser persona
Mano que es clavo en otra mano
Fui promesa perdida
Y rostro que no se enfrenta
Dolor que no llega a ser herida
Y por eso no sana
Fueron noches sin amaneceres
Cuidado sin aflicción
Estamos de espaldas vueltas
De la cuna al ataúd
Escrita por: Alfredo Duarte *fado pajem* / Maria Do Rosário Pedreira