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Garganta

Fael Mondego

Garganta

Minha garganta estranha quando não te vejo
Me vem um desejo doido de gritar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar

Venho madrugada perturbar teu sono
Como um cão sem dono me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar

Sei que não sou santa, vezes vou na cara dura,
Vezes ajo com candura pra te conquistar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar

Vim parar nessa cidade por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar

(2x)
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar

Garganta

Mi garganta se siente extraña cuando no te veo
Me da un deseo loco de gritar
Mi garganta raspa la pintura y los azulejos
De tu habitación, de la cocina, de la sala de estar

Vengo en la madrugada a perturbar tu sueño
Como un perro sin dueño empiezo a ladrar
Atravieso la almohada, te revuelvo por completo
Vuelvo loca tu cabeza, la hago girar

Sé que no soy santa, a veces actúo descaradamente
A veces actúo con dulzura para conquistarte
Pero no soy hipócrita, crecí en la calle
Y no cambio mi actitud solo para complacerte

Vine a esta ciudad por circunstancias
Así he sido desde niña, crecí un poco sin hogar

(2x)
Aprendí a arreglármelas sola
Y si te estoy dando cuerda
Es para luego abandonarte

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